Cães treinados desde filhotes por bombeiros participam de procura por vítimas em Brumadinho

Vale e deu aos pais de uma menina o direito de se despedir da filha. Brida, um cão de resgate dos bombeiros do Paraná, encontrou Lays Gabrielle de Souza Soares, de 14 anos. O corpo da adolescente não estava muito longe da devastada casa onde ela vivia com os pais e a tia, perto da igualmente arrasada Pousada Nova Estância.

Sua mãe e a tia de 15 anos sobreviveram muito feridas, e a menina foi tragada. E permanecia desaparecida. O corpo foi levado para identificação, confirmada na terça-feira, dia em que Brida já estava de novo em campo, na lama. Desta vez, nas ruínas da ITM, uma colossal estrutura de triturar minério e a primeira a ser atingida dentro da mina. Buscava os corpos de pelo menos 15 pessoas. Trabalhava com Thor, um golden retriever de 7 anos. Ambos são do Grupo de Operação de Socorro Tático, dos bombeiros do Paraná.

Um cão faz o trabalho de 30 homens, afirma o tenente-coronel Walter Parizotto, dos bombeiros de Santa Catarina, referência no Brasil no treinamento de animais de busca e salvamento. Brida e Thor, entrando pelos ferros retorcidos da ITM transformada em calabouço de lama, procuravam por sinais de trabalhadores que não conseguiram escapar da onda que chegou ali em dez segundos.

Cães de resgate como eles são essenciais para localizar os corpos, tantos dias após o desastre que completa um mês amanhã.

Mas os cães que trabalham ou trabalharam na tragédia estão todos machucados. Teve um que perdeu um dedo e outro que terá que se aposentar devido a ferimentos, afirma o major bombeiro Ivan Neto. Os animais, como os bombeiros, trabalham em lugares de elevado risco de morte e ficam exaustos.

A rotina de trabalho dos cães farejadores que buscam por vítimas em Brumadinho

PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Thor, cão dos bombeiros do Parana. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Thor, cão dos bombeiros do Parana. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Thor, cão dos bombeiros do Parana. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
PA Brumadinho (MG) 19/02/2019 – 30 dias do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. | Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Tragédia complea um mês na próxima segunda-feira (25)

Brida veio de Pato Branco (PR) com o soldado João Carlos Alves Júnior. De Curitiba, vieram Thor e o soldado Rafael dos Santos Souza Vaz. Eles formam binômios, o nome da dupla de cão de resgate e bombeiro. Tanto Brida quanto Thor não pertencem à corporação. Foram treinados desde filhotinhos pelos bombeiros com os quais trabalham.

Golden retriever, o faro

A palavra mais repetida pelos militares é disciplina. Mas Alves e Vaz falam de Brida e Thor também com amor e admiração. — Nós somos parceiros de vida — diz Vaz.

O coronel Parizotto explica que várias raças são empregadas nos trabalhos de busca. Labradores e golden retrievers têm faro inigualável, mas suportam menos as condições duras da lama de rejeito. São mais pesados e afundam com maior facilidade nos lamaçais.

— O labrador é uma máquina de farejar e resolver problemas —diz o coronel Parizotto.

Fotos: o drama dos animais em Brumadinho

Voluntários tentaram, em vão, salvar vaca atolada na lama de rejeitos no Córrego do Feijão, em Brumadinho. O animal acabou sacrificado por veterinários, colocando fim a uma agonia de dois dias | Márcia Foletto / Agência O Globo
Nem mesmo peixes escaparam da destruição deixada pela tsunami de lama, liberada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. O conteúdo tóxico invadiu o rio Paraopeba, que ganhou tom alaranjado logo após a tragédia e, agora, está irreconhecível | ADRIANO MACHADO / REUTERS
Em Brumadinho, animais são vítimas e socorristas. Cães são instrumentos fundamentais para o trabalho das equipes de busca do Corpo de Bombeiros. O faro pode ajudar na localização de sobreviventes e corpos | Márcia Foletto / Agência O Globo
Na fuga da avalanche de lama, muitos moradores deixaram para trás seus animais de estimação, como pássaros em gaiolas. Bombeiros resgataram vários deles com vida e puderam liberá-los | MAURO PIMENTEL / AFP
Vários pássaros presos em gaiolas deixadas para trás após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, foram recuperados e liberados pelo Corpo de Bombeiros | MAURO PIMENTEL / AFP
Animais domésticos e silvestres não escaparam da tragédia | ADRIANO MACHADO / REUTERS
Voluntários de grupos de protetores de animais que tentaram salvar animais presos em áreas consideradas críticas pela Defesa Civil denunciaram a resistência da Polícia Militar, que temiam pela segurança e chegaram a instalar tapumes, e a falta de apoio da Vale. Os populares acabaram usando o material para chegar a uma das vacas presas, evitando a lama movediça | Márcia Foletto / Agência O Globo
Voluntários e protetores de animais ainda mantêm esperança de resgatar uma segunda vaca presa à lama, que ainda está viva | Márcia Foletto / Agência O Globo
Impacto da onda de lama foi tão forte e repentino que arrasou matas e arrancou árvores, pegando até mesmo pássaros de surpresa | WASHINGTON ALVES / REUTERS
Três dias após a tragédia, muitos animais – vivos ou mortos – ainda estão presos na lama. Segundo a Vale, oito equipes atuam no resgate da fauna com suporte de biólogos da companhia e de empresas contratadas, além de especialistas em fauna silvestre e veterinários | ADRIANO MACHADO / REUTERS
Muitos cães vagam pelo Córrego do Feijão em busca dos donos, falecidos ou desaparecidos após o rompimento da barragem da Vale | MAURO PIMENTEL / AFP
Outros, como o cão fotografado na comunidade do Parque da Cachoeira no último sábado, não escaparam da avalanche de lama, mas conseguiram escapar com vida da tragédia | MAURO PIMENTEL / AFP
Definida como uma ‘tragédia humana’ pela Vale, o rompimento da barragem em Brumadinho também comoveu pelo drama da fauna local

Malinois, como Brida, preferidos pela polícia do Rio, têm temperamento mais agressivo e se destacam pela persistência.

O coronel diz que os border collies, que são também pastores, vêm conquistando lugar pela resistência:

— Eles não são farejadores tão bons, mas aguentam condições muito duras.

]]>

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Cães treinados desde filhotes por bombeiros participam de procura por vítimas em Brumadinho

Deixe o seu comentário

Você deve estar logado para comentar.