O deputado com a mulher no colo

Léo Lib

Uma cena roubou a atenção na posse dos deputados estaduais de Goiás, no ultimo dia primeiro; em determinado momento, foi registrado o deputado Amauri Ribeiro (PRP), de Piracanjuba, sentado com uma mulher no colo no plenário.

Logo choveram críticas em redes sociais e os partidários do deputado correram para defendê-lo, espalhando a explicação dada pela assessoria do deputado, de que a mulher era sua esposa, que havia cedido seu lugar para uma senhora idosa e sentou-se então no colo do marido. Se verdade ou ato pós fato, a ação passaria desapercebida se a reação do próprio deputado e principalmente de seus correligionários, não fosse evidenciar o ocorrido, com fotos e declarações de apoio que beiram o mal gosto.

“mulher no colo do marido”, “melhor do que se fosse a amante”, para citar alguns comentários, fato é que figura pública em atitude polêmica registrada, cabe minimizar o estrago com apenas posição superficial, para prevenir maiores polêmicas. Senão vejamos:

Uma fotografia não tem movimento. Não há exposição de antes ou depois. Há o momento. Figura pública, ao se tornar pública abre mão do direito de anonimato, para ser sempre, foco. Político então, aí é que a “lei da mulher de César” tem que funcionar. Conta a sabedoria popular que, “ mulher de César não basta ser honesta, tem que PARECER honesta”. E o que a foto por si só expunha, no caso do deputado? Um deputado em plenário, tomando posse, com uma mulher (essa sim anônima) sentada no colo.

É isso que o apressado, o preguiçoso, a criança de 10 anos, o analfabeto, o transeunte viram na imagem. A imagem fala por si só. E em imagem parada não há contexto. É interpretativo, mas é fato.

E aí, dizer que foi uma senhora idosa, fica parecendo desculpa para justificar o injustificável. Se a intenção fosse ceder o lugar, bastava o deputado levantar e deixar sua esposa se sentar. Teria a foto registrada e passaria a imagem do “gentil cavalheiro” “marido atencioso” que depois foi tentado cunhar a imagem já marcada.

O deputado Amauri Ribeiro em sua vida pública teve 5 passagens que chamaram a atenção. Nenhuma diz respeito a suas atividades políticas, mas a situações polêmicas de vida pessoal. A primeira, um corretivo em sua filha, devidamente registrado em rede social, por causa de umas fotos intimas, depois a passagem da confusão com pedreiro que inclusive causou um afastamento e uma condenação por lesão corporal, a polêmica declaração de ato sexual com uma cabra, em uma rádio, e recente, a confusão envolvendo seu irmão e um funcionário da câmara legislativa e por fim a do colo, as duas últimas no dia da posse.

Há que se perceber que polêmicas elevam o político a classe dos folclóricos. E voto em folclórico, é voto de protesto, e para haver voto de protesto é preciso que a situação não esteja boa. Ou seja, para esse tipo de político sobreviver, é necessário que a situação esteja sempre ruim.

Se dá para mudar essa fama que está já sendo criada? Sim. Lógico. Vide Enéas Carneiro e Clodovil, ambos falecidos, que entraram na vida pública como folclóricos e a deixaram com um nível de respeito acima de qualquer suspeita. Mas, para isso é necessário que o político seja comedido, seja honesto, pareça honesto e o mais importante, seja bem orientado por uma assessoria eficiente, e não por uma claque apaixonada, porque batendo palmas em rede social, há um sem numero de vídeos de focas, engraçadinhas, bonitinhas e que esperam um peixinho como agrado depois da graça.

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for O deputado com a mulher no colo

Deixe o seu comentário

Você deve estar logado para comentar.