Vídeo: Movimento Atingidos por Barragens fala em 4 represas rompidas


O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) divulgou vídeo, nesta sexta-feira, no qual afirma que, na verdade, foram quatro as barragens que romperam em Brumadinho (MG), sendo uma grande e três menores. Segundo Pablo Dias, da coordenação nacional do movimento, há uma quinta barragem, de água, com risco de rompimento.

Assista ao vídeo:

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirma ao menos 200 desaparecidos. Rejeitos atingiram a área administrativa da Vale e parte da comunidade da Vila Ferteco, mas o mar de lama segue devastando o que encontra pela frente incluindo casas do Córrego do Feijão e agora espalhando-se para os municípios do entorno também pelo rio Paraopeba.

O Conselho Indigenista Missionário informou que uma aldeia de índios Pataxó Hã-hã-hãe precisou ser evacuada após o rompimento da barragem. As 25 famílias que vivem na aldeia Naô Xohã foram levadas, na tarde desta sexta, para a parte mais alta do município de São Joaquim de Bicas, área administrativa onde está localizada a comunidade.

“Por enquanto está tudo sob controle. Nosso povo está protegido e esperamos que a lama não destrua o rio e nossa aldeia, mas ainda tem muita lama para descer, infelizmente. A Defesa Civil e equipes de saúde estão nos acompanhando. Perto da gente uma ocupação do MST também precisou ser evacuada”, afirma Eni Carajá, representante da tribo. Não há previsão de volta para os indígenas à aldeia.

Em nota, a Articulação Internacional das Atingidas e Atingidos pela Vale e a Justiça Global lamentaram o acidente em Brumadinho:

“É com profunda indignação que recebemos a notícia de mais uma tragédia provocada pela mineradora Vale. Na tarde de hoje (25/01/2019), duas barragens localizadas na comunidade Córrego do Feijão, em Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), romperam. Ainda não temos informações sobre o número de vítimas, mas, segundo relatos, na hora do desastre cerca de mil pessoas estavam no refeitório da mineradora, que está coberto de rejeitos. Há relatos, ainda, sobre a chegada de material tóxico ao Rio Paraopeba, afluente do São Francisco. A dimensão completa deste desastre ainda não pode ser precisada.

A Articulação Intencional dos Atingidos e Atingidas pela Vale vem denunciando nos últimos anos na assembleia de acionistas da companhia o perigo do reiterado processo de redução de custos e despesas em suas operações, ampliando, assim, os riscos e os incidentes como o ocorrido em Mariana em 2015 e hoje em Brumadinho. Entretanto, nada foi feito. Não se pode dizer que o rompimento das barragens, no dia hoje, não era previsto ou esperado: apesar de alertada, a Vale nada fez a não ser continuar minerando e aumentando seu lucro.

E agora, a Vale novamente figura em uma nova tragédia social e ambiental. É urgente que as autoridades do Estado brasileiro assumam suas responsabilidades e deem início a uma investigação célere, imparcial e efetiva para que casos como esses não correm mais. Além de promover a fiscalização de todas as barragens de rejeito do país, de modo a evitar novos rompimentos e tragédias. Nos solidarizamos com todos os afetados e afetadas e novamente gritamos Não foi acidente!”.

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