Nem todo paciente com câncer de próstata precisa fazer terapia convencional

Aqueles com baixo risco podem apenas fazer acompanhamento periódico, mas a maioria ainda prefere se tratar, por medo da doença

Bruna Sensêve

Rio de Janeiro e Brasília — Ao ouvir a palavra câncer pronunciada por qualquer médico, mesmo em um exame de rotina, o primeiro pensamento remete ao paciente as opções de terapia agressivas, que visam aniquilar de vez o terrível inimigo. Radioterapia, quimioterapia ou cirurgia são, provavelmente, os passos seguintes ao diagnóstico. No entanto, com força crescente, uma nova opção tem emergido nos consultórios, especialmente quando o assunto é o tumor de próstata. O conceito de vigilância ativa, ou espera vigilante, é uma opção viável para homens com cânceres de baixo risco, que decidem não se submeter à cirurgia imediata ou terapia de radiação. A questão foi um dos temas debatidos durante o II Congresso Oncologia D’Or, realizado no Rio de Janeiro.

Na vigilância ativa, o câncer de próstata já diagnosticado é cuidadosamente monitorado para sinais de progressão. O teste de sangue PSA e o toque retal (DRE) são geralmente administrados periodicamente, junto da repetição da biópsia depois de ano e, em seguida, em intervalos específicos. Se os sintomas se desenvolvem ou se os testes indicarem que o câncer está aumentando, o tratamento pode ser necessário.

O monitoramento diferenciado para o câncer de próstata vem da observação epidemiológica da doença. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), alguns tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e até levando à morte. Mas a grande maioria cresce tão lentamente — estima-se uma média de 15 anos para atingir 1cm³ — que não chega a dar sinais durante a vida nem a ameaçar a saúde do homem.

Segundo o coordenador científico do Centro de Oncologia Rede D’Or e chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital do Câncer do Inca, Daniel Herchenhorn, o câncer de próstata não é uma doença que pode ser percebida pelo paciente a partir de sintomas ou qualquer tipo de autoexame, como acontece com o de mama. “Naturalmente, a glândula sofre um aumento de tamanho com a idade, que vai acarretar sintomas como necessidade de urinar mais frequentemente, por exemplo. Essa condição está relacionada com o câncer, mas também é uma decorrência natural da idade”, explica o urologista.

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