A crise do Etanol

Jornal Atos

Márcio Meirelles

O Brasil está assistindo o desmonte brutal de uma atividade genuinamente nacional: a indústria do etanol.
Em matéria de energia alternativa o país talvez seja um dos únicos do mundo a ter todos os meios e os recursos de substituição de combustível derivado do petróleo, com desenvolvimento próprio e sem dependência de tecnologia importada.
O etanol brasileiro compreende uma gama imensa de tecnologia impar e exemplo para o mundo. Do desenvolvimento e preparação do solo, seleção da espécie da cana de açúcar, ao parque industrial de transformação, compreendendo equipamentos, projetos de usinas ao desenvolvimento do motor movido a álcool e do motor “flex” dando ao consumidor a alternativa de uso do combustível mais adequado economicamente..
O país transitou no mundo da tecnologia com uma “expertise” de colocá-lo num setor de atividade econômica que é a solução para o futuro. O mundo dos combustíveis limpos.
O amplo espectro da tecnologia que o etanol legou ao país, patrimônio tecnológico incalculável. Poucos países do mundo têm a condição de organizar de forma independente uma atividade que compreenda os três setores da economia: o setor primário com a produção agrícola; o setor secundário com a transformação da cana de açúcar em álcool e, finalmente, o setor terciário na distribuição do produto no mercado.
No entanto, o governo desmantelou esta conquista da sociedade brasileira, do mundo empresarial, usando a Petrobras para elaboração de uma política de controle de inflação manipulando o preço do combustível na bomba.
Com esta medida provocou o fechamento de 41 usinas de açúcar/álcool e mandou para a lata do lixo 10 bilhões de dólares de investimento – grande parte investimento internacional – e 45.000 postos de trabalho do setor.
Não alcançou nenhum resultado positivo para a economia, pois a causa da inflação brasileira foi diagnosticada, na década de 1960: o déficit público. O hábito que virou vício de gastar mais do que arrecada.
Este governo conseguiu desestruturar uma das empresas mais invejadas do mundo, desrespeitando o investidor nacional e o estrangeiro cometendo um crime de lesa pátria, realizando investimentos no exterior desastrosos e se lançando na exploração do pré-sal, na contramão do mundo.
É evidente que o governo tinha que tomar providência veiculando na televisão uma propaganda institucional colocando o funcionário como o defensor da estatal e uma mensagem de crédito no futuro, crédito este que a direção da empresa e o próprio governo destruíram. É importante agora chamar o funcionário para dizer maravilhas da empresa como cortina de fumaça para encobrir a direção desastrosa da Petrobras.
Em país sério estariam todos na cadeia!
A outra grande aventura da Petrobras, o pré-sal, com inúmeras perguntas e respostas que o governo deveria dar à sociedade:
1ª Quais as razões para o Brasil abandonar a certeza do etanol pela aventura do pré-sal?
2ª Como abandonar uma tecnologia nacional por uma tecnologia ainda em desenvolvimento e incerta no resultado?
3ª Como abandonar o etanol por uma produção de combustível com o custo 3 vezes maior que o outro e com resultados duvidosos?
4ª Por que optar por uma atividade de elevados custos de investimentos públicos sobre outra concentrada na iniciativa privada?
5ª Como justificar a escolha de um combustível que é ameaça a poluição local e uma decisiva contribuição para o aquecimento global em detrimento de uma energia limpa?
6ª Qual o objetivo em destruir postos de trabalho na agricultura, no setor técnico de construção de usinas e equipamentos?
A nítida impressão e constatação que a Petrobras é um Estado dentro do Estado.
Um poder autônomo sob o controle do governo, superior a partidos políticos e a fiscalização da sociedade.
Como é possível que a sociedade não participe destas decisões, a discussão do pré-sal fique só na questão da divisão dos “royalties” entre os Estados para tapar buracos da administração desastrosas de alguns Estados. A doença holandesa, quando do descobrimento do pré-sal na Holanda onde causou a maior inflação do país e os recursos advindos da exploração foram para o ralo.
O Brasil corre outro risco com o pré-sal com o desenvolvimento da extração de gás de xisto nos Estados Unidos tornando-o independente da compra internacional de petróleo e contribuindo para a baixa do preço internacional e a inviabilização do pré-sal.
Além desta iminente mudança na questão petrolífera mundial todos os projetos nacionais de desenvolvimento de combustível alternativo como: biomassa, biocombustível foram para o fundo do… mar.
Bem, um problema que o próximo ou os próximos governos terão que resolver!
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