Scolari pede que Brasil deixe de ser ‘coitadinho’ e aceite obra atrasada

Com a conivência do presidente da CBF, José Maria Marin, Luiz Felipe Scolari passou a adotar um discurso de tom nacionalista, que se fortalece cada vez mais desde a convocação para a Copa das Confederações . E o teor não se limita à seleção brasileira . O técnico pede até que não se divulguem tanto as informações de obras atrasadas para passar uma boa impressão aos estrangeiros.

“Não vale a pena ficar falando que ainda não ficou pronta tal estrada. Nos outros países, não é essa beleza toda que pintam. É muito bonitinho, mas não é essa beleza toda”, indicou o treinador, que bufou seguidamente para mostrar sua contrariedade à descrença de parte da população com o poder público.

“Passamos a imagem de coitadinhos, de que está tudo errado, de que somos ruins, ruins, ruins. Mas os outros Mundiais não tiveram problemas?”, falou o técnico, que enfrentará a França em amistoso neste domingo em Porto Alegre, mas não no estádio escolhido pela cidade para a Copa do Mundo do ano que vem porque o Beira-Rio ainda não está pronto.

O apelo de Scolari é próximo a um pedido de conformismo com os erros e que se ressaltem as qualidades brasileiras. “Vai ter um ou outro problema sempre, mas não precisamos passar aos europeus e outros continentes que temos problemas. Precisamos passar um pouquinho da imagem de que somos bons.”

As afirmações de Felipão cabem bem na política do COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo. Até mesmo um dos patrocinadores do torneio tem veiculado campanhas publicitárias de que o Mundial será benéfico e um sucesso, apesar das seguidas críticas feitas pela Fifa desde a escolha do País como sede há seis anos.

“Não somos coitadinhos. Somos um país no qual todos querem vir, ficar e investir, com uma moeda muito respeitada. Temos muita representatividade, sim. Há pouco tempo, estive na Europa com pessoas envolvidas no futebol e falaram que todos querem trabalhar no Brasil”, prosseguiu Scolari

Críticas ao ranking da Fifa

Durante a coletiva, o treinador brasileiro não poupou nem mesmo o ranking da Fifa. O Brasil vive sua pior situação na classificação, ocupando o 22º lugar. Algo que o técnico considera ser mentiroso, culpando a entidade por um regulamento que prejudica quem não disputa Eliminatórias.

“Esse 22º lugar é absurdo, não existe”, definiu o treinador. “Não tenho um conhecimento amplo dos critérios da Fifa, mas acho isso engraçado. Se não jogamos nenhuma competição classificatória, não somamos ponto.”

O ranking da Fifa realmente dá mais valor aos jogos oficiais, não só nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, mas também para torneios continentais, e o Brasil não disputa nenhum delas porque a Copa América já tem só dez seleções e sediará o próximo Mundial.

Mas um prejuízo à seleção no ranking se deu por opção da própria CBF. A Fifa também define o valor de cada amistoso de acordo com o adversário, e durante o período sob o comando de Mano Menezes, a seleção enfrentou times como Bielo-Rússia e Gabão. Até por isso, hoje está atrás de Bósnia e Herzegovina e Gana, por exemplo.

Mas não é assim que Scolari pensa. “Eu disse aos atletas: ‘vocês não têm nada a ver com o Brasil em 22º lugar’. Todos sabem que isso acontece porque não jogamos nenhuma competição classificatória. Já até avisei que vamos chegar ao Mundial não em 22º, mas em 30º”, apontou.

Como argumento, o treinador cita a história da seleção. “A única seleção pentacampeã do mundo é a nossa. A única com três títulos na Copa das Confederações é a nossa”, comentou.

* Com Gazeta Esportiva

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