Guardian’ revela identidade de fonte de vazamentos de dados nos EUA

G1

Um ex-técnico da CIA, a agência de inteligência americana, e atual funcionário da empresa de consultoria de defesa e estratégia Booz Allen Hamilton é a fonte que revelou ao jornal britânico “The Guardian” as informações confidenciais sobre programas de vigilância de comunicação dos EUA, informou a publicação neste domingo (9).

“Não tenho nenhuma intenção de me esconder porque sei que não fiz nada de errado”, disse Edward Snowden, de 29 anos, que está em Hong Kong desde 20 de maio, em entrevista publicada no site do “Guardian”.

Snowden deixou a CIA em 2009 e, nos últimos quatro anos, Snowden trabalhou na Agência de Segurança Nacional dos EUA como empregado de várias empresas terceirizadas, incluindo a Booz Allen Hamilton.

Em nota que acompanha o primeiro conjunto de documentos divulgados por ele, Snowden diz: “Entendo que eu vou sofrer por minhas ações”, mas “estarei satisfeito se a política de leis secretas, perdão desigual e poderes executivos irresistíveis que governam o mundo que eu ano seja revelada nem que seja por um instante”.

Apesar de ter revelado várias informações secretas, o homem insistiu que quer evitar os holofotes da mídia.

“Não quero atenção do público, porque não quero que a história seja sobre mim. Quero que seja sobre o que o governo dos EUA está fazendo. (…) Realmente quero que o foco esteja sobre esses documentos e sobre os debates que espero que isso desencadeie entre os cidadãos de todo o mundo sobre o tipo de mundo que queremos viver. Minha única motivação é informar o público sobre o que é feito em nome dele e o que é feito contra ele”, disse ao “Guardian”.

Até agora, Snowden tinha uma vida confortável, que incluía um salário anual de US$ 200 mil (R$ 426 mil), uma carreira estável e uma casa no Havaí, onde morava com a namorada.

“Estou disposto a sacrificar tudo isso porque não posso, em sã consciência, permitir que o governo dos EUA destrua a privacidade, a liberdade na internet e as liberdades fundamentais de pessoas ao redor do mundo, com essa máquina de vigilância maciça que está construindo secretamente.”

Entenda o caso
A revelação, feita pela imprensa, de que o governo dos EUA espiona telefonemas e atividade online de seus cidadãos colocou o governo Obama na defensiva na sexta-feira (7).

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse na sexta que os parlamentares americanos estavam informados sobre as atividades de espionagem do governo, tema de polêmica desde que reveladas pela imprensa nos últimos dois dias. O democrata afirmou que as conversas telefônicas dos cidadãos americanos “não estão sendo ouvidas” e que as salvaguardas constitucionais estão sendo garantidas na atividade de monitoramento.

“Ninguém está ouvindo suas ligações telefônicas. O programa não é isso”, disse o presidente no Vale do Silício, na Califórnia, em seus primeiros comentários sobre o tema.

“O que a comunidade de inteligência está fazendo é olhar os números de telefone e a duração das chamadas. Eles não estão olhando nos nomes das pessoas, e não estão olhando o conteúdo, mas, estudando os assim chamados “metadados”, eles podem identificar algumas tendências que podem ajudar as autoridades a interromper potenciais planos terroristas”, disse.

O jornal “Washington Post” informou na quinta-feira (6) que as autoridades federais têm utilizado os servidores centrais de empresas como Google, Apple e Facebook para ter acesso a e-mails, fotos e outros arquivos de usuários, permitindo a analistas rastrear movimentos e contatos de uma pessoa.

A revelação aumentou as preocupações com a privacidade após uma reportagem do “Guardian” afirmando que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) tinha obtido registros telefônicos de milhões de clientes de uma subsidiária da Verizon Communications.

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