Terra (ou asfalto) de ninguém

Dirigir em cidade grande é difícil e estressante. Até aí, nenhuma novidade. O que talvez nem todo mundo saiba é que circular em São Paulo ganha ares de aventura a partir do momento em que o dia começa a clarear. Por motivos pessoais, passei a ir para a rua mais cedo este ano. É outra cidade. O trânsito (bem) matinal é muito mais estressado (e estressante). Imagino que, quem está dirigindo às 10 h da manhã, por exemplo, deve ter alguma flexibilidade de horário. Quem está às 7 h nas ruas não tem tempo. Por isso, a distância entre veículos é muito menor no começo da manhã. As pessoas buzinam mais, colam mais nos carros da frente ou do lado. Buzinam se você demora mais de 1 segundo para sair, depois que o semáforo abre. Aliás, buzinam se você para no vermelho. Às vezes, dá vontade de avisar que eu fui transferido do turno das 10 h, para ver se o pessoal alivia e dá um desconto, pelo menos na fase de adaptação.

O resultado de tudo isso? Pequenas batidas aqui e ali. Você vai andando, passando pelo trânsito entupido e lá na frente dois carros parados, analisando os estragos e tumultuando ainda mais o pedaço. Normalmente, são para-choques levemente afundados, porque dois para-choques não podem ocupar o mesmo lugar no espaço – sem que um deles não vá para o espaço. E retrovisores? Se você quiser entender o motivo da existência de lojas e oficinas especializadas apenas na venda de espelhos externos em São Paulo, recomendo madrugar e tirar o carro da garagem assim que o sol estiver nascendo. Se você já faz isso, sabe o que estou dizendo. Enfim, bem-vindo à selva. E quem disse que os selvagens não aceitam mais espelhinhos?

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