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‘A gente não precisa copiar tudo da Europa. Nem tudo é certo’, diz Renato Gaúcho

 

Renato Gaúcho foi contratado pelo Grêmio em setembro de 2016. Isso mesmo: 2016. Esses quatro anos parecem uma eternidade diante da alta rotatividade dos técnicos no País. Depois dele, o técnico mais longevo é Fernando Diniz, que completou um ano no São Paulo também em setembro. O tempo médio de permanência dos “professores” é de apenas seis meses. “Isso significa que temos resultados, o ponto mais importante aqui no Brasil”, disse o gremista de 58 anos.

Resultados ele tem de sobra. Renato Gaúcho já conquistou a Copa do Brasil, a Copa Libertadores em 2017, a Recopa Sul-Americana em 2018, além de três Gauchões nos últimos três anos. Neste ano, o time demorou a engrenar, mas já está nas semifinais da Copa do Brasil – é a quarta vez em cinco anos. No Brasileirão, o clube tricolor também está em ascensão.

Além dos troféus, o gaúcho de Guaporé resiste ao que chama de modismo da contratação de treinadores estrangeiros. “Eu vejo muito futebol europeu, mas nem tudo eu trago para o meu dia-a-dia”, disse em entrevista ao Estadão.

O que significa ser o técnico mais longevo do Brasil?

Antes de qualquer coisa significa que temos resultados. Aqui no Brasil esse é sempre o ponto mais importante. Mas também mostra que o trabalho tem muita qualidade, que o grupo de trabalho é forte. É muito importante para um treinador ter tempo para desenvolver seu trabalho e tirar o máximo do grupo de jogadores. Me sinto um privilegiado por conseguir fazer isso no Grêmio. E é muito importante ter uma diretoria de acredita no que está sendo feito.

Por que os clubes brasileiros estão contratando tantos técnicos estrangeiros?

O futebol brasileiro muitas vezes vive de modismos. Não tenho absolutamente nada contra treinadores estrangeiros virem trabalhar no Brasil, muito pelo contrário. O Jorge Jesus veio para o Flamengo e fez um grande trabalho. Mas isso não quer dizer que todos que vierem de fora vão fazer a mesma coisa. E aí vamos cair no grande problema do futebol brasileiro: é preciso dar tempo, principalmente para o treinador que vem de fora e muitas vezes não conhece com profundidade o futebol brasileiro.

Como avalia a demissão do técnico Domènec Torrent do Flamengo? E a saída do Eduardo Coudet do Internacional?

São situações diferentes. Mas é difícil dar uma opinião sem viver o problema de dentro.

Falta alguma coisa ao treinador brasileiro em relação aos estrangeiros?

Não mesmo. Temos grandes treinadores no futebol brasileiro. Sempre foi assim. Quantos títulos mundiais o Brasil tem? Podemos aprender com o que é feito na Europa? Claro que sim. Mas não precisamos copiar tudo que é feito por lá. Nem tudo é certo. Pelo menos no meu ponto de vista. Eu vejo muito futebol europeu, mas nem tudo eu trago para o meu dia-a-dia. Pelo contrário. Faço adaptações pontuais e vou muito mais pelas minhas ideias e conhecimento.

Do que você gosta no futebol europeu?

Gosto muito do futebol inglês. Da dinâmica, da velocidade, do jogo ofensivo. Isso eu tento pegar para o meu time.

E do que você não gosta?

Times que jogam por uma bola o tempo inteiro. Eu sei que isso faz parte, eu já usei essa estratégia, mas eu não gosto. E tem muito time europeu que joga assim.

O Grêmio demorou a engrenar na temporada? Por que?

Uma série de fatores podem influenciar no desempenho de uma equipe ao longo da temporada. Tivemos muitos problemas ao longo do ano. Vários jogadores no departamento médico, outros que foram chegando sem tempo para entender a nossa maneira de jogar, sem tempo para se adaptar. Tudo isso vai para dentro de campo e muitas vezes a coisa não sai como esperamos. Além disso, perdemos jogadores importantes. Nem preciso falar da falta que faz o Cebolinha, né? E ainda tem o problema da pandemia.

Por que o Luan ainda não se firmou no Corinthians?

O Luan é um grande jogador, mas é difícil dizer o que acontece com ele dentro de outro clube. Mas ele deve estar com saudade de mim (risos).

As pessoas gostam de ouvir sua opinião sobre temas de fora do futebol. Como vê a situação política do País hoje?

Falar de política é sempre um problema. Nunca escondi minhas preferências políticas. Acho que o Brasil está no caminho certo, mas não quero me estender muito nesse assunto.

Como avalia o combate à pandemia do novo coronavírus?

A pandemia é um problema muito complicado. Tem erros e acertos. E não é só no Brasil, é no mundo inteiro. Se os países de primeiro mundo, as grandes potências, estão com dificuldades para resolver o problema, imagine o Brasil. Mas eu confio no presidente Bolsonaro.

 

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