‘Os negacionistas não suportam a arte e a ciência’, afirma José Miguel Wisnik

 

 

No fim de outubro, o crítico literário, professor, poeta e compositor José Miguel Wisnik lançou o single “A Terra Plana”, resposta lírica e bem-humorada ao discurso – bastante atual, diga-se – que nega a circunferência, cientificamente provada, desse planeta surgido há bilhões de anos. “A Terra não é plana/ A Terra não é chata/ A Terra simplesmente plana/ Carregando o peso da ganância que a maltrata”, diz os versos da canção, uma experiência poética e uma maneira de dissolver o negacionismo, como Wisnik pondera. “A questão é justamente essa: não é possível debater com negacionistas, porque eles estão aí para bater, não para debater. Por isso, é uma canção que vai por outro caminho, um caminho de aceitar o grande jogo, a grande aventura e a grande brincadeira da existência em um planeta que plana, não o adjetivo, mas no sentido de flutuar”, comenta o compositor. Dias depois do lançamento de “A Terra Plana”, o jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Eugênio Bucci, publicou um texto no jornal “O Estado de S.Paulo” em que cita a música e critica o falatório terraplanista. Nesta quinta-feira (19), Wisnik e Bucci se encontram virtualmente para falar sobre o tema “A Terra Plana, Questão Cosmopolítica” em mais uma edição online do Sempre um Papo. Apresentado e mediado por Afonso Borges, o encontro virtual será transmitido ao vivo, às 18h, no YouTube, Instagram e Facebook do projeto. Para José Miguel Wisnik, os terraplanistas estão em uma posição extrema e absurda do negacionismo, que refuta a redondeza da Terra, o aquecimento global e resultados eleitorais. Trazer a poesia e a canção, ele diz, é uma maneira de jogar com a sensibilidade do campo artístico, setor também contestado.  “Os negacionistas não suportam a arte e a ciência, algo a ser negado por eles também”, avalia. Ao ser questionado sobre os motivos pelos quais chegamos, em pleno 2020, ao cenário em que o discurso de que a Terra é plana ganha muitos adeptos, Wisnik sublinha que essa é uma pergunta que não tem uma só resposta. Segundo o poeta, são muitos aspectos envolvidos: “As transformações pelas quais a humanidade tem passado são muito grandes e talvez essa seja uma espécie de reação frente a uma incapacidade de aceitá-las. É uma defesa e, ao mesmo tempo, um ataque manipulador. A defesa deles é o ataque”.

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